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O Livro
“É
uma espécie de história
natural do Brasil.” –
Gilberto Freyre
Minha Vida de Menina é um
clássico da literatura brasileira.
Escrito entre 1893 e 1895, o diário
é o registro dessa adolescente
de ascendência inglesa, Alice
Dayrell Caldeira Brant – que
usou o pseudônimo de Helena
Morley.
Helena Morley nasceu em Diamantina
em fins do século XIX. A
menina magra, sardenta e rebelde
cresceu respondendo às contradições
do seu tempo. Dividida entre a infância
e a puberdade, entre o sonho do
diamante redentor e as lavras e
minas esgotadas, ela criou um olhar
independente sobre a província
tacanha e decadente. No seu diário,
Helena Morley se revelou surpreendente,
ferina, determinada e única.
A história se passa na cidade
de Diamantina em franca decadência.
O passado de glórias e o
presente de penúrias são
determinantes na imaginação
da menina-moça: Helena também
sonha em encontrar seu diamante
redentor.
Em 1942, aos 62 anos, Alice Dayrell
publicou seu diário de menina,
que imediatamente tornou-se um sucesso,
deixando a autora perplexa, pois
pensava naquele momento que estaria
simplesmente fazendo um registro
sobre sua infância na província,
para suas netas. Hoje o diário
está em sua 19ª edição,
tendo sido também traduzido
para o inglês (pela poetisa
Elizabeth Bishop), francês
e italiano.
“Obra prima digna de qualquer
literatura.” – Carlos
Drummond de Andrade
Minha
Vida de Menina
Muito
mais do que um diário de
garota de província do século
XIX, Minha Vida de Menina antecipa
a voga das histórias do cotidiano
a traçar um retrato vital
e bem-humorado do dia-a-dia em Diamantina
entre 1893 e 1895.
Publicado pela primeira vez em 1942,
o livro é um painel multicolorido
daquele momento histórico
singular no Brasil, com o sabor
e a vivacidade de um diário
de adolescente.
Quando Helena Morley – pseudônimo
de Alice Dayrell Caldeira Brant
(1880-1970) – era criança,
na Diamantina dos anos 1890, seu
pai, pequeno minerador descendente
de ingleses, aconselhou-a a escrever
diariamente num caderno suas observações
sobre o mundo à sua volta.
Ela seguiu o conselho do pai e,
entre os doze e os quinze anos,
manteve um diário em que
anotava não apenas o dia-a-dia
na família e na escola como
também alguns comentários
sobre a vida da cidade e da região,
com seus costumes arraigados, suas
relações sociais,
suas contradições.
Minha Vida de Menina é esse
diário ele cobre os anos
de 1893 a 1895, mas só foi
publicado em livro pela autora em
1942, causando impacto imediato
nos meios intelectuais brasileiros.
História da vida privada
avant la lettre, o livro radiografa
o cotidiano da sociedade brasileira
de província nos primórdios
da República, momento em
que “a escravidão acabava
de ser abolida e o trabalho livre
não estava ainda enquadrado
nas alienações da
forma salarial,” como observou
o crítico Roberto Schwartz
em seu ensaio sobre Morley, “Outra
Capitu” (em Duas Meninas,
Companhia das Letras, 1997).
As contradições sociais,
as lentas inovações
tecnológicas, os atritos
interpessoais, as festas religiosas,
as várias faces do “racismo
cordial,” tudo isso surge
nas páginas de Minah Vida
de Menina numa linguagem franca
e saborosa, plena de humor e calor
humano.
Por seu valor literário e
histórico, o livro foi exaltado
por escritores, como Carlos Drummon
de Andrade e Elizabeth Bishop (que
o traduziu para o inglês)
e chegou a despertar dúvidas
sobre a idade da autora ao escrevê-lo.
Suspeita de que teria sido redigido
já na maturidade, Guimarães
Rosa contestou que, nesse caso,
não conhecia em nenhuma outra
literatura “mais pujante exemplo
de tão literal reconstrução
infância.”.
Uma coisa é certa em Minha
Vida de Menina Alice/Helena criou
uma obra de encanto singular, que
pode ser lida como romance de formação
de uma mulher e, ao mesmo tempo,
de um país.
Helena Morley é o pseudônimo
de Alice Dayrell Caldeira Brant,
nascida em 28 de agosto de 1880
em Diamantina, Minas Gerais. Estudou
na Escola Normal da cidade e casou-se,
em 1900, com Augusto Mário
Caldeira Brant, com quem teve seis
filhos. Faleceu no Rio de Janeiro,
em 1970. Minha Vida de Menina foi
traduzido para o francês por
Marlyse Meyer e para o inglês
por Elizabeth Bishop.
Bibliografia
Memórias de um Estudante
1885 - 1906, Diário
de Cícero Brant, irmão
de Augusto Mario Caldeira
Brant (esposo de Helena Morley),
contemporâneo de Helena
Morley em Diamantina. |
Lá em casa era assim…
Diário de Edésia
Corrêa Rabello, contemporânea
de Helena Morley em Diamantina,
em fins do século
passado. |
Self-Help (1859) de Samuel
Smiles, escritor inglês
favorito da Tia Madge.
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Não Vai Publicar
as Memórias, Jornal
do Brasil, 1957.
|
Helena Morley Conquista
a Inglaterra, Jornal das
Letras, Outubro 1958.
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Helena Morley, The New York
Times, Mildred Adams, 29/12/58.
|
Cadernos de Menina, de Rubem
Braga, 1958.
|
Helena Morley, revista Querida,
no.89, Fevereiro 1958.
|
Frases da Semana, Correio
da Manhã, 5/1/58.
|
Immortal Diamond (Diamante
Imortal), The New Yorker,
1958.
|
A Brazilian Diamond (Um
Diamante brasileiro), The
New Statesman, (UK) 25/10/58.
|
Já Lemos… Minha
Vida e Menina, revista Traço
de União n. 11, Dez.
1959.
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Journal de Helena Morley,
Bolletin Critique de Livre,
Novembro, 1960.
|
Journal d’Helena Morley,
Livres de France, Junho,
1960.
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En Lisant Journal et Mémoires,
Paul Fécherolle,
1960. |
Les Livres de la Semaine,
Alain Palante, 1960 Journal
D’Helena Morley.
|
Journal d’Helena Morley,
Presence des Livres, Abril/Maio
1960 Journal et Mémoires,
Le Courrier, 1960.
|
O Globo 8/6 1960 Minha Vida
de Menina corre o mundo
em 5 idiomas.
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Gente Importante: HELENA
MORLEY, Querida, 1961.
|
Jornal do Brasil, 1962 O
Nome da semana: ALICE BRANT,
que também se assina
Helena Morley.
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As Composições
Escolares lhe deram Projeção
Internacional, O Globo,
1962.
|
Clareando as Sombras, Vera
Brant, 1964.
|
O Globo Caderno Feminino
2/5/ 1964 Um Casamento Feliz.
|
Mário Brant, obituário,
1968 (vários jornais).
|
O Globo 13 /8/ 1970 Copa
do Mundo escondeu o desaparecimento
de Helena Morley.
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Helena de Diamantina Carlos
Drummond de Andrade (?).
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Diário de uma Adolescente,
Jornal do Brasil, 10/5/1983.
|
Tesouro de um Mundo Extinto,
Suplemento Literário,
MG, --28/5/83.
|
Depoimento Familiar, Eduardo
Reis (neto da autora Alice
Dayrell Brant), Seminário
Comemorativo do Centenário
dos Diários de Minha
Vida de Menina, Diamantina,
1994. |
Depoimento Familiar, Sara
Caldeira Brant (filha da
autora Alice Dayrell Brant),
Seminário Comemorativo
do Centenário dos
Diários de Minha
Vida de Menina, Diamantina,
1994.
|
Depoimento, Vera Brant (amiga
da autora Alice Dayrell
Brant), Seminário
Comemorativo do Centenário
dos Diários de Minha
Vida de Menina, Diamantina,
1994.
|
O Globo 6 de Agosto 1994
Minha vida de Menina faz
100 anos.
|
O Mundo Ilustrado (?) Vovó
Alice no país do
"Best Seller".
|
Schwarz Leva Capitu a Diamantina,
Magazine, O Tempo, 14/6/1997.
|
Magazine/Livros, O Tempo,
14/6/1997 'Minha Vida de
Menina’ Alcança
os Clássicos. |
O Estado de São Paulo,
28/6/1997 Capitu e Helena
Morley sob uma luz nova.
|
Folha de São Paulo,
revista ‘Mais!’
1/6/1997 A Dialética
Envenenada de Roberto Schwarz,
Folha de São Paulo,
revista ‘Mais!’
1/6/1997 Duas Meninas na
periferia do capitalismo.
|
As Duas Meninas, Roberto
Schwarz, Companhia das Letras,
1997.
|
O Livro da Capa Verde O
Regimento Diamantino de
1771 e a Vida no Distrito
Diamantino no Período
da Real Extração,
Júnia Ferreira Furtado.
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Introdução
ao livro “Minha Vida
de Menina” de Helena
Morley (Alice Dayrell Brant),
Alexandre Eulálio,
crítico literário.
|
Do Sotão a Vitrine
Maria José Motta
(diários femininos
no Brasil) UMG.
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Apesar de Você Uma
leitura de Minha Vida de
Menina / Maria José
Motta 1987 Artigo publicado
na revista O Eixo e a Roda
Fac. de Letras UFMG.
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Escritos Alexandre Eulálio
UniCamp 1992.
|
A Antropologia da Viagem
Escravos e Libertos em MG
no sec XlX Ilka Boaventura
Leite.
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O narrador Considerações
sobre a obra de Nikolai
Leskov Walter Benjamim Magia
e Técnica Arte e
Política.
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O Humor Sigmund Freud.
|
Gazeta Mercantil 23 de Maio
1998 Memórias pouco
sentimentais de uma menina.
|
O Tempo 24 de Maio 1998
Retratos de uma infância
na provinciana.
|
Veja 6 de maio 1998 "Brasil
Legal - O século
passado na visão
de uma adolescente".
|
Heroínas e Provincianas
Jornal do Brasil 6 de Julho
98.
|
O Artesão da Memória
No Vale do Jequitinhonha
Vera Lucia Felício
Pereira UFMG 1966.
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Barrocas Famílias
Vida familiar em Minas Gerais
no séc.XVlll Luciano
Raposo de Almeida Figueredo.
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Richard Francis Burton Highlands
of Brasil.
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| Livro
Minha Vida de Menina |
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| Livro
traduzido para o inglês |
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| Augusto
Mario Caldeira Brant (“Leontino”)
e Alice Dayrell (“Helena
Morley”). |
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| Augusto
Mario Caldeira Brant (“Leontino”)
segundo da esquerda e Felizberto
Dayrell (“Alexandre”)
em Diamantina. |
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| Pique-nique
Diamantina, circa 1895. |
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| Pique-nique
Diamantina, circa 1895. |
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| Tias
de Alice Dayrell (“Helena
Morley”). A segunda
da esquerda é “Tia
Madge.” |
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