Perfil
dos Personagens
HELENA
MORLEY – LUDMILA DAYER.
É uma menina magricela,
alta e sardenta ainda desajeitada
com vastas tranças ruivas
que revelam sua origem inglesa.
Está numa fase de transição.
Ela não tem uma beleza
clássica, mas vai se
revelar bonita ao longo do filme.
Ela ainda é uma mistura
de menina / moça. É
vista como “estrangeira”
e “diferente.” Tem
uma inteligência afiada
e evidente no seu olhar sempre
alerta e curioso. O filme conta
a história de Helena
durante os anos em que começa
a se despedir de uma infância
feliz e a conhecer o mundo dos
adultos. Helena quer tudo da
vida ao mesmo tempo. Seu tio
Geraldo é para ela o
símbolo da dominação
dos parentes ricos. É
um momento de perdas e conquistas
que são registradas em
seu diário que funciona
como a plataforma de sua individuação.
CAROLINA – DANIELA
ESCOBAR. Mãe
de Helena. Louca de paixão
pelo marido, sempre encontra
um jeito de largar a casa e
os filhos para meter-se na estrada
que a levará às
lavras onde está seu
amado. Filha de Teodora, trabalhadora,
dedicada à família.
Não socializa muito,
reservada, tímida socialmente,
mas tem um lado imprevisível
no que se refere ao seu marido.
Ele passa na frente de tudo.
Procura impregnar a família
com religião. É
carola. O seu Deus parece ser
um Deus que deve ser temido,
que castiga. Sua religião
é misturada com superstição.
Teme que o lado protestante
do marido os contamine. Alexandre
a acompanha a Igreja, mas recusa-se
a confessar e não gosta
das freiras. É orgulhosa.
Deve também se envergonhar
da situação de
penúria da família,
pois cresceu em uma casa abastada.
Deve ter um conflito grande
em relação ao
marido que adora e que não
quer perder, mas que é
o culpado dessa situação.
Ela não tem a sagacidade
e a rapidez de dedução
de raciocínio da filha,
que a deixa perplexa com o seu
raciocínio perfeito e
sua astúcia. Possivelmente
nunca foi educada em escola.
É tonta, cabeça
de vento, e deixa o lugar vago
para Helena assumir o controle
da casa, parecendo mais uma
irmã mais velha do que
mãe.
ALEXANDRE – DALTON
VIGH. Pai de Helena
e filho de John Dayrell, médico
inglês que vem para o
Brasil com o São João
Del Rey Mining Company. Alexandre,
já nascido no Brasil,
é alto e loiro e evidentemente
filho de estrangeiros. Como
outros tantos em Diamantina
ele é um obcecado pelo
tesouro das lavras de diamantes
- nesta época já
esgotada. Tem a personalidade
de um jogador. Ele acredita
na sorte. Tem alguma coisa também
de um “outsider.”
É um pai ausente, mas
ainda assim um bom pai e um
bom marido. É um sonhador
e responsável pela situação
econômica deplorável
da família. Sua relação
com o cunhado Geraldo tem um
elemento de bajulação
que cria ansiedade em Helena.
Ele penhora o diamante do broche
de Carolina - o que de certa
forma motiva sua filha, num
ato de desafio, a roubar o mesmo.
Personagem rico e multifacetado:
é monarquista, mas avesso
ao escravismo; protestante,
mas refratário ao ideal
republicano; defensor do trabalho
físico e do credo igualitário
trai certo orgulho de sua origem
inglesa. Seu casamento com Carolina
é um casamento de amor
e não de conveniência,
coisa rara na época.
É incentivador do hábito
da escrita em Helena.
DONA TEODORA – MARIA DE
SÁ. A matriarca
da família. Pesadona
de corpo, mas ágil de
cabeça, ela é
uma mulher pratica e astuciosa.
Mulher com um passado sofrido.
Começou muito pobre.
Sua vida só muda quando
seu marido encontra o caldeirão
de diamantes. Mulher de garimpeiro.
A riqueza de sua família
vem do trabalho que fez ao lado
do marido. É praticamente
analfabeta. Ela escondia os
diamantes quando passavam os
“dragões imperiais.”
Mãe de Carolina e avó
de Helena. Seu amor pela neta
é incondicional. Viúva,
ela concentra o dinheiro acumulado
por seu marido nos áureos
tempos da mineração,
mas não tem controle
sobre ele. Geraldo, seu filho
mais velho, é que gera
os negócios da família.
Ela protege e guia a neta, em
quem reconhece superioridade
intelectual e brilho único
na tacanha Diamantina dos fins
do século passado. Teodora
tem a convicção
- que vem se provar certa no
futuro - de que a menina é
a única capaz de mudar
o destino da família.
Teodora combina bondade e força,
carolice e astúcia e
é um exemplo para Helena.
Sua morte é um divisor
de águas na vida da menina.
LUISINHA – LILIAN
PASSOS. Irmã
mais nova de Helena. Ao contrário
da irmã, é boazinha,
dócil e distraída,
como a mãe, que a acha
um modelo de comportamento.
Mas na verdade, ela é
uma sonsinha que vai levando
sua vida sem chamar atenção
dos adultos.
TIO GERALDO –
CAMILO BEVILACQUA.
Principal antagonista de Helena,
símbolo da dominação
dos parentes ricos, alvo da
inveja e cobiça da jovem
e oprimida Helena. Geraldo,
como filho mais velho, administra
a fortuna de Dona Teodora, impedindo
que ela a distribua entre os
parentes mais necessitados,
como é o caso de Helena
e seus pais. Procura controlar
sua mãe, quer sua admiração
e não entende porque
Helena tem tanta ascendência
sobre ela e conseguiu conquistar
seu amor. Isso cria nele uns
ciúmes que procura disfarçar,
e uma tremenda hostilidade contra
a sobrinha que se reflete no
resto da família. Teria
talvez certa inveja da liberdade
que tem Alexandre com o seu
lado aventureiro. Procura descrevê-lo
como um perdedor para a família
que se sente humilhada com isso.
Com sua irmã mais moça
é severo e a trata com
condescendência. Sua relação
com Iaia, sua mulher, é
de pouco caso e tédio
que contrasta com o casamento
de sua irmã, que com
todos os seus problemas é
ainda vivo.
TIA IAIÁ – LÍGIA
CORTEZ. Casada com
Tio Geraldo, irmão de
Carolina, faz tudo o que está
ao seu alcance para transformar
a vida da sobrinha em um inferno.
O amor de sua sogra por Helena
é uma constante preocupação
de Iaiá, que quer a todo
custo promover sua própria
filha, Naná, aos olhos
da matriarca. Ela espalha boatos
maldosos e apoia seu marido
em sua cruzada contra a indomável
Helena.
TIA MADGE – LOLÔ
SOUZA PINTO. Dominadora
e “gauche" Tia Madge
é uma “antagonista-cômica”
que no seu afã de sofisticar
a educação da
sobrinha, acaba por colocá-la
nas mais constrangedoras e risíveis
situações. Ela
quer transformar sua sobrinha
em uma verdadeira inglesa, o
que fica claro ser totalmente
impossível. Querendo
ajudar, tia Madge só
atrapalha. “Porque tia
Madge tem que gostar tanto de
mim?” Helena sempre se
pergunta. Mas Madge, com todos
os seus defeitos, também
pode ser uma aliada.
TEODOMIRO – BENJAMIM
ABRAS. Mulato, muito
atraente, um “dandy.”
Professor de Helena na Escola
Normal, ele reconhece o talento
de escritora de sua aluna. Apesar
de severo, ele sabe que tem
em suas mãos uma adolescente
especial com uma grande curiosidade
pela vida, que ela constantemente
questiona. Como Helena, ele
é “diferente,”
um “outsider,” e
se sente atraído pela
irreverência de Helena
com a sociedade à sua
volta.
ARINDA – BRUNA
LETÍCIA SANTOS.
Cria da casa de Teodora. Às
vezes companheira de Helena
em travessuras. Ajuda Carolina
em casa nos afazeres domésticos.
Com a morte de Teodora a chácara
é desmembrada e Arinda
é mandada para um outro
sítio, separando–se
assim de Helena e terminando
dolorosamente uma fase de suas
vidas.
PADRE NEVES –
ELVÊCIO GUIMARÃES.
Velho padre extremamente conservador.
Como confessor de Helena e das
outras alunas, ele procura manter
as meninas em estado de terror,
identificando pecados em todas
suas ações.
O MOTTA – LUCIANO
LUPPI. Dono do “Empório
do Motta,” loja que vende
uma variedade de coisas, “haberdashery,”
inclusive os cadernos aonde
Helena se inicia como escritora.
É a ele que ela recorre
para vender o broche que roubou
de sua mãe.
SIÁ RITINHA –
ELIANE MARIS. Uma das
“doidas” de Diamantina,
conhecida ladra de galinhas
da Cavalhada. Helena no final
reconhece nela algumas qualidades